10.3.12

A Separation - Crítica

"A Separação" é um filme iraniano que venceu a estatueta de ouro (globo) de melhor filme estrangeiro. Ontem resolvi ver o filme que na verdade já estava aqui alguns dias, mas o tempo tem sido pouco e tenho me dedicado mais as séries do que aos filmes.
Asghar Farhadi é o director desta bela produção e que merce todo o louvor que a crítica lhe tem dado. É uma excelente produção cinematográfica que foi pensada até ao último pormenor e que nos apresenta um belo drama familiar.
A história começa com Simin (Leila Hatami) tentando divorciar-se porque conseguiu o visto para ir viver fora do Irão e cujo o mesmo expira em breve. Nader (Peyman Moadi) não aceita sair do país e deixar o pai que sofre de Alzheimer. Simin vê a sua vida dificultada porque para levar a filha Termeh (Sarina Farhadi) ela precisa da autorização do pai, coisa que Nader se recusa a facultar. Assim, Simin resolve sair de casa e mudar-se para casa da mãe e separar-se do marido informalmente.
Quando Nader se apercebe da dificuldade que irá enfrentar sem a mulher do seu lado para ajudar a tratar do seu pai, ele resolve contratar alguém para ajudar nas lides domésticas. Ele contrata Razieh (Sareh Bayat), uma mulher grávida que trabalha as escondidas do marido para ajudar nas despesas da casa. Todo o drama da história começa quando Razieh sofre um aborto espontâneo no trabalho e a família dele resolve abrir uma queixa crime por homicídio, contra Nader.
Não é a história que torna este filme tão especial mas é sim a forma como ela é dirigida, as personagens escolhidas e a maneira como as diferentes problemáticas foram envolvidas na história. Ninguém é verdadeiramente culpado ou inocente na história, todas as personagens envolvidas em ambas as famílias vivem em conflito moral com a situação: ou por ter empurrado, ou por ter mentido aos autoridades, ou por ter escondido do marido ou por ser descuidado e tudo assenta e é analisado por princípios éticos e religiosos.
Quanto as personagens, todas elas foram escolhidas em sintonia perfeita com o papel que iriam realizar: a dramática, a rebelde ou a submissa (etc), todos se revelam tão perfeitamente encaixados que parece estarmos a assistir a um documentário.
É um filme brilhante que merece todo o mérito dado.
É triste o espaço no mercado brasileiro e português ser tão fechado ao cinema internacional e por outro lado enaltecer alguns não merecidos clichês americanos.
Vale a pena assistirem.


Classificação: 5 em 5
Comentários
0 Comentários

Sem comentários:

Enviar um comentário

Comenta aí que eu vou amar saber que você está desse lado...=D

Fan Page