6.12.12

Tecnologias e o mundo

Hoje foi um dia super corrido para mim. Metrôs, trens/comboios e ônibus/autocarros tomaram conta de grande parte do dia, e aqui em São Paulo, apanhar transportes públicos (ou não) traduz-se em não conseguir fazer mais nada o dia todo. Ainda assim, resolvi tirar um tempinho para escrever esta pequena reflexão, até porque presenciei hoje algumas situações (e não é só de hoje) que me deram vontade de o fazer.
Não sei que ponto já se atingiu em Portugal, mas acredito que a "onda" seja a mesma. Hoje, enquanto me deslocava de trem em pleno inferno (esteve um calor insuportável por aqui hoje) dei conta de uma velhota (ou senhora idosa se acharem ofensivo) que se sentou ao lado de uma rapariga nova. A senhora tentou meter conversa mas a rapariga olhou para ela com um ar de "agora não te posso aturar" e continuou a mexer no ser super iphone (sem lá que número). Pensei que talvez ela estivesse ocupada, a escrever uma mensagem urgente ou algo assim, mas assim que "estiquei" o pescoço (discretamente) lá estava ela na sua página de Facebook a atualizar o seu estado e a fazer like's em páginas e comentários virtuais, enquanto um ser humano do lado dela lhe pedia por uma conversa frontal, real e cara-a-cara!
No fim de semana fui ao shopping e dei conta de dezenas de mesas (e não é exagero) com grupos de amigos que nem conversavam... A relação social limitava-se as teclas do telemóvel. Isto não é absurdo? Ou é só a minha cabeça que não entende?
Eu tenho Facebook,  confesso, tenho uma certa relação virtual com os leitores do meu blog, é verdade, mas eu nunca virei a cara a uma pessoa carente que só quer conversar, ainda mais um idoso! Eu sou do tipo que compro umas "sandoxas" em qualquer canto e sento-me numa pracinha a comer com a companhia de quem estiver. Se  me sentir perdida em algum lugar, eu sou aquela que pergunta para alguém na rua, e não "saco" do meu telefone para aceder ao Google Maps! Eu sou aquela que se esquece do telemóvel dentro da carteira e que raramente ouço uma chamada à primeira (quem me conhece é testemunha, certo mãe? =D).
Neste momento vivemos num mundo em que as pessoas estão a desaprender de conviver umas com as outras e a  perder os seus valores humanos. Cada um pensa em si e pisa o próximo se for preciso! A minha preocupação não é de hoje, mas a evolução destas tecnologias, redes sociais, e afins, têm contribuído para uma dependência dos mesmos e toda a gente parece acreditar que isso substituí o ser humano! Mas a verdade é que não substituí e no dia em que cairmos para o lado no meio da rua, ou por calor ou pelo frio, ou pelo que seja, não são os amigos virtuais que estão ali, mas sim o vosso vizinho, ou aquele que vos acompanha no dia-a-dia, mesmo que nem um "olá" ou "boa tarde" seja trocado na hora de enfrentar mais uma viagem até ao trabalho ou até casa!

XO

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