15.6.13

Grécia fora do ar...

A par de tudo o que se passa aqui em São Paulo, o abuso do poder público, seria quase impossível não relacionar com o que se passa mundo a fora, nomeadamente na Europa!

Enquanto aqui em São Paulo se manipula, ou se cala, a mídia para evitar que o que realmente se passa seja revelado, com agressão física, na Grécia a situação foi outra: VAMOS LÁ FECHAR A TV E RÁDIO ESTATAL.

Mas como tudo aconteceu...

Como tudo na Europa funciona segundo a vontade dos credores, o troika ordenou a Grécia aos  cortes das despesas, e funcionários, públicos. E como a Grécia, assim como 90% dos governos mundiais, depende de "tachos governamentais", aquele que seria o corte mais apropriado - ministério das finanças (até porque está claro que não é o mesmo que mantem a ordem nas contas públicas) - o governo grego resolveu fechar a televisão e rádio estatais, que pelos vistos davam gasto na ordem dos 300 milhões de euros por ano e com ele quase 3000 funcionários estão hoje sem emprego.




Legalidade...

Ora aqui está uma questão bem pertinente. Mas será que o governo tem autoridade para fechar a TV e Rádio de um forma tão pouco burocrática?

Na noite anterior ao sucedido, um decreto-lei foi aprovado em parlamento e que permite que as empresas públicas gregas possam ser reestruturadas desta forma súbita (norma que foi aprovada por todos os ministros do executivo, à excepção de quatro, dois do Partido Socialista (Pasok) e dois da Esquerda Democrática (Dimar), membros da coligação tripartida no poder. Traduzindo... neste momento o governo grego tem o poder de tomar qualquer decisão relativa a empresas públicas apenas com o auxílio de um caneta, sem precisar de levar a decisão a parlamento.

No dia seguinte à aprovação deste decreto, as pessoas estavam sossegadas em casa a assistir ERT (o dito canal de TV) quando o sinal caiu e apenas restou um ecrã preto. Da mesma forma, todos os trabalhadores da empresa de TV e rádio foram apanhados de surpresa com um ordem de fechamento de emissão.




Justificação dos fatos...

Segundo o porta-voz do governo, Simos Kedikoglou "A ETR é um caso de extraordinária falta de transparência e de incrível esbanjamento. Isso acaba agora.", "A ETR deixa de existir após o fechamento da emissora esta noite. Em seu lugar começará a funcionar, o mais rápido possível, um organismo público, moderno e com muito menos pessoal". E para fechar: "O governo está disposto a sacrificar a rádio e as televisões públicas para cumprir a exigências dos credores internacionais (comissão europeia, banco central europeu e fundo monetário internacional).


A resposta...

Obviamente, milhares de pessoas saíram as ruas em forma de protesto e tratam o assunto como um escândalo politico e social. Canais privados da Grécia, e mesmo canais públicos de outros países, juntaram-se a causa e suspenderam a emissão por algumas horas, como o caso da RTP em Portugal (que da mesma forma foi alvo de análise para encerramento e privatização por parte governamental).
A União Europeia de Radiodifusão (que nada tem a ver com a união europeia - aqui) já mostrou a sua solidariedade e enviou vans equipadas, para que os jornalistas possam continuar as emissões via satélite (claro que de forma bem primitiva).




Opinião: minha e popular...

Este é um dos maiores escândalos de austeridade. É inadmissível que um país não tenha televisão pública. Esta é a única entidade capaz de garantir a transparência política e social de um país (ainda que muitas vezes seja manipulada) e sem fins lucrativos privados. O encerramento de uma empresa como esta, traduz-se num claro governo de poderes e condenamento à democracia. É esconder a verdade da população. É um joguete de capitalismo selvagem cuja única intenção é dominar a opinião pública e esconder os fatos reais. Por isso mesmo, este fechamento não se deve apenas a corte de gastos e diminuição da dívida pública, mas sim de a manipulação estatal!

Se a ETR dá muita despesa, cortem o número de trabalhadores (principalmente aqueles que entraram por favor político). Agora fechar um canal é uma decisão drástica, para um país de economia e "políticagem" drásticas.

Os valores da dívida pública grega, tal como os de Portugal, Espanha, Itália, etc) não se deve ao número ou funcionários públicos, só, mas também ao privado que, de uma forma suja, se liga aos interesses públicos misturando as duas "contas" numa só.

Momento nostalgia...

E, a pedido do meu cunhado (=D) - Grego - aqui fica um vídeo de um dos programas que passavam neste canal e que tinha mais audiência. Froutupia carrega uma forte critica social e apesar de se tratar de desenhos animados, nem só as crianças assistiam. 



Agradeço que vocês, gregos de plantão, deixem os vossos comentários elucidando a real situação grega. Infelizmente a mídia quase sempre desfoca a realidade e com pena minha não posso tomar grande posição em relação ao assunto! Comentem, partilhem e ajudem-nos a entender...

XO
*Nazaré*

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